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Ice AVenturaS

A Aventura de estar no topo do meu Iceberg... Ou seja, da minha mente! Pensamentos, reflexões, experiências, assuntos sérios ou maluquices da pessoa, mãe e psicóloga... Uma viagem talvez alucinante e meio louca!

Ice AVenturaS

A Aventura de estar no topo do meu Iceberg... Ou seja, da minha mente! Pensamentos, reflexões, experiências, assuntos sérios ou maluquices da pessoa, mãe e psicóloga... Uma viagem talvez alucinante e meio louca!

Fé, religião e esperança...

Não sou uma pessoa de fé. Nunca o fui.

 

Quer dizer, cresci como a maioria dos Portugueses, no seio de uma família católica. Fui batizada, tive catequese, fiz a 1.ª Comunhão e tive aulas de Religião e Moral... Aprendi orações, comunguei, confessei-me, fui a missas, e também  li e conversei sobre a religião católica.

 

Mas a verdade é que, já com 5-6 anos, infernizava a vida da Catequista (Colégio de Freiras) com "perguntas incómodas". Incómodas porque incomodavam quem as recebia e nem sempre sabia responder e, porque faziam também as outras crianças questionar o que, para alguns, não se pode questionar: a religião.

 

Na minha cabeça de 5-6 anos, toda aquela história me parecia estranha! Lembro-me de imaginar uma versão que, para mim, fazia muito mais sentido: Todos nós éramos brinquedos de gigantes que, tal como eu brincava com as minhas bonecas, "brincavam" comigo e com todo o mundo e, decidiam as nossas vidas e o que cada um fazia. Não os víamos porque eles eram tão grandes que ficavam atrás das nuvens.

Ou então que faziamos parte de um jogo deles, como uma espécie de Sim City ou um RPG (algo que ainda não existia quando eu tinha esta idade, mas mais ou menos o que eu imaginava).

 

Há medida que fui crescendo, a religião continuou a não me fazer sentido. E continua a não fazer, seja lá ela qual for.

 

Não me faz sentido haver deuses todos poderosos, defensores de virtudes e de virtuosos, mas nem sempre quem é bom, é recompensado. Antes pelo contrário, muitas vezes, é mesmo sacrificado: desde Jesus Cristo aos bombistas suicidas.

 

Não me faz sentido qualquer acto de violência em defesa das fés, deuses e religiões (desde as cruzadas católicas, aos atentados com bombistas suicidas atuais, ao ostracizar e excluir quem acredita em algo diferente ou é diferente). Se eles são omnipresentes e omnipotentes, porque raio precisam que nos matemos todos uns aos outros?

 

E ainda, acerca da omnipresença... Se assim é, porque não vê ele tanta coisa? Não reconhece casamentos pelo civil (essas pessoas "não são casadas aos olhos de deus")... Não vê o amor entre pessoas do mesmo sexo... Não vê os abusos a crianças por parte de quem apregoa a sua palavra... Não vê a riqueza de quem lhe devota a vida e faz um voto de ajudar o próximo, mas prefere viver em tronos de ouro e dar esmola ao pobre...

(Sim, ok. Neste ponto, a igreja está a mudar muito. O novo Papa conta com toda a minha admiração e respeito.)

 

Não me faz sentido que quando nos acontece algo de bom, foi "deus". Mas quando acontece algo de mau, esse "deus" todo poderoso não é capaz de o impedir, porque foi obra do diabo ou então é castigo porque fizemos algo de mau... Onde está o poder dele? Ou onde está a sua compaixão e capacidade infinita de perdão? E onde está a nossa capacidade de influenciar os resultados da nossa vida?

 

Acima de tudo, as religiões não me convencem e, também, não me faz sentido o "deixar ao acaso" (ou a um deus) o rumo da minha vida.

Como comecei por dizer, não sou uma pessoa de fé. De acreditar, só porque sim. De deixar andar e esperar que tudo corra bem.

 

Espero que tudo corra bem, mas mexo-me e trabalho no sentido de maximizar as hipóteses de tudo correr bem. Acredito que a vida é minha e o seu rumo é acima de tudo influenciado pelo que faço, pela minha capacidade de ver e aproveitar (ou não) as oportunidades que vão surgindo, de decidir e optar por diferentes rumos. E, como é óbvio nem sempre sou. Nem sempre tomo as melhores decisões. Não sou perfeita. Não tenho bolas de cristal (mas se elas existissem, gostava de ter uma... Ou talvez não! O determinismo que isso traria... Até tenho medo!).

Ou seja, não só o que corre bem, mas também o que corre mal é consequência das minhas ações. Claro que é impossível controlar tudo. Os outros (o mundo inteiro) também controlam os seus atos e isso afeta a minha vida. Tal como eu afeto a dos outros.

 

E, é nisto que acredito. No refletir sobre e no agir para.

Não consigo deixar as coisas ao acaso. Sei que não é possível controlar tudo (ou teria de reconhecer e acreditar na existência de seres superpoderosos). E procuro concentrar-me no que consigo e posso controlar.

De resto, ainda que não sendo muito otimista (já fui mais), procuro ter esperança na vida, na bondade e humanidade de cada um, e procuro acreditar que tudo vai correr bem, se eu fizer por isso também.