Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Ice AVenturaS

A Aventura de estar no topo do meu Iceberg... Ou seja, da minha mente! Pensamentos, reflexões, experiências, assuntos sérios ou maluquices da pessoa, mãe e psicóloga... Uma viagem talvez alucinante e meio louca!

Ice AVenturaS

A Aventura de estar no topo do meu Iceberg... Ou seja, da minha mente! Pensamentos, reflexões, experiências, assuntos sérios ou maluquices da pessoa, mãe e psicóloga... Uma viagem talvez alucinante e meio louca!

Ser Pai no Positivo...

Confesso que não sou a maior fã do Eduardo Sá... Ainda assim volta e meia ele escreve algo que adoro. E a verdade é que não lhe nego de modo algum a capacidade profissional ou a capacidade de prender o leitor à sua mensagem (concordando ou não com ela).

 

Hoje, cruzei-me com este artigo e adorei-o.

Não só pela mensagem ou o seu título, mais relacionado com a gravidez, mas por falar do que é "ser Pai" (entenda-se pai e/ou mãe) com honestidade... Por mostrar um pouco do que é "vivê-la com verdade", essa "coisa" da gravidez e o ser Pai: o bom e o mau. E, neste artigo, Eduardo Sá mostra alguns aspectos que não são bons e, que não é por se admitir isso, pior Pai.

 

Há muito romance à volta do que "deve ser um Pai".

E existe uma pressão social acerca de se ser "um bom pai", "o melhor pai", o "pai perfeito"... Aquele que ama e adora o seu filho, que nunca se altera, que não se exalta ou levanta a voz, que atura todas as birras com a maior serenidade e sabe sempre o que fazer... Como se, ao ser pai, deixasse de ter direito a ser humano.

 

Uma pressão que veio também com um aumento do conhecimento do público em geral acerca de pedagogia, desenvolvimento infantil, psicologia infantil, bem como pela proliferação de artigos sobre estes temas nas redes sociais e internet.

 

A verdade é que este aumento de conhecimento é muito positivo. Houve uma grande diminuição dos maus-tratos na infância e um aumento da preocupação em fazer melhor e criar melhor...

 Mas, por outro lado, sinto que passámos, às vezes, para um outro extremo...

 

Como psicóloga, mas como mãe também, sinto que se "passa a vida a apontar o dedo aos pais", a registar o que está mal feito, a mostrar como são os pais imperfeitos, a assinalar o negativo... O que é simultaneamente curioso, uma vez que é largamente difundida a mensagem de que mais do que se apontar o que as crianças fazem mal, deve-se mostrar como fazer bem... Porque não aplicar isso aos pais?

 

Canso-me de ver artigos de especialistas a falar de ser pai, de como criar e educar, na negativa... O que não fazer ou o que está a fazer mal...
Ou então apresentando receitas mágicas e estereótipos que, caso o Pai, não consiga colocar em prática, deve ser ele que está mal e não a "receita"...

- "Se fizer assim, assado e cozido, vai resultar e ter um rebentozinho perfeito que não dá um pum fora de sítio"...

Pois, pois! Deve ser isso, porque os garotos são todos iguais! E a idade? Não interessa nada! Ora que importa a capacidade de compreensão da criança, o seu desenvolvimento cognitivo, físico e psíquico?!

- "A receita é esta e se não funcionou, é porque não soube como aplicá-la ou aplicou-a mal! Não argumente com a idade da criaturinha ou com a personalidade dela! Ela é uma criatura, da sua propriedade, moldável ao seu gosto. Só não é se você for incompetente!"

 

Meus caros, não! Não é assim! Lamento!

Watson era boa pessoa. Eu até gosto dele. Ele defendia que se lhe dessem uma criança, fosse lá ela quem fosse, ele educá-la-ia para ser o que ele quisesse...

Watson está ultrapassado... Há séculos. Lamento... A teoria já evoluiu e muito!

 

A verdade é que nem tudo é bom, nem sempre é fácil e acredito que cada pai procura fazer e dar o seu melhor.

Não existe uma receita para criar e educar pessoas... Pessoas... Sim, porque um dos grandes avanços foi esse: perceber que as crianças não são adultos em miniatura, mas pessoas, seres humanos, com personalidades diferentes, genética diferente... Tal como os pais também o são. Tal como a relação com cada filho nunca é igual, pois existem factores pessoais de cada interveniente, do meio, do tempo... Enfim...

E chegamos à máxima muito repetida: "Cada caso é um caso"...

 

O que eu acredito e sei é que somos cada vez melhores pais. Todos estes avanços no conhecimento e o despertar de consciências para os maus tratos infantis trouxeram isso. Não tenho dúvidas disso (patologias aparte, claro).

 

Por isso, tentemos não incentivar culpa, mas sim transmitir confiança para não chegarmos ao outro extremo (a que estamos a chegar)... Depois vem os artigos acerca dos "Pequenos Ditadores"...

 

Falemos de "Ser Pai" no Positivo, reconhecendo em cada Pai a vontade de ser e fazer melhor... Se ela não existisse (e quando não existe), ele (Pai) nem estaria a ler o artigo!