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Ice AVenturaS

A Aventura de estar no topo do meu Iceberg... Ou seja, da minha mente! Pensamentos, reflexões, experiências, assuntos sérios ou maluquices da pessoa, mãe e psicóloga... Uma viagem talvez alucinante e meio louca!

Ice AVenturaS

A Aventura de estar no topo do meu Iceberg... Ou seja, da minha mente! Pensamentos, reflexões, experiências, assuntos sérios ou maluquices da pessoa, mãe e psicóloga... Uma viagem talvez alucinante e meio louca!

Hiperativa ou com Bichos carpinteiros... Quero lá saber! Quero é correr!

Sempre fui muito ativa, irrequieta... Ou melhor, já fui mais... (Ai, a velhice! ;P)

A minha mãe dizia que eu tinha "bichos carpinteiros" ou "picos no rabo" e, na primária, ganhei a alcunha de "tomatinho", porque andava sempre bem coradinha de tanto correr.

Mas ninguém me chamou "hiperativa" (que eu saiba!). Ou pelo menos, ninguém me diagnosticou com uma Perturbação de Hiperatividade com ou sem Défice de Atenção (PH/DA) e me encheu de Ritalina (passo a publicidade).

Porquê?

 

Porque nunca fui hiperativa, mas sim ativa e porque, na minha altura, a difusão deste conceito era menor, quando agora parece ser moda... De tal modo, que já se fala da existência de um hiperdiagnóstico desta doença, bem como uma sobremedicação destes casos.

 

Mas até mais do que a existência deste fenómeno a nível médico e dos serviços de saúde (de psicologia incluídos), preocupa-me o rótulo!

Se uma criança tem energia, corre, pula, fala, mexe-se e “respira” mais alto, é chata, maçadora, não pára quieta e, como tal, leva o selo de “hiperativa”.

Ou seja, o que o rótulo significa e aquilo que fica subentendido é que é uma criança “chata e maçadora” ou “um monstrinho incontrolável”…

 

Como acham que se sente a criança rotulada (quando já tem capacidade para compreender o que significa esse rótulo)?

E os seus pais? Os pais da “criança monstrinho” será que se sentem aliviados, pois “a culpa” é de uma doença qualquer e não da educação dada? Ou será que sentem exatamente que o que lhes estão a dizer é que têm “filhos monstrinhos e chatos” e que são pais incompetentes, que não conseguem controlar a criança?

 

Mas, é preciso controlar? É preciso que as crianças fiquem imóveis e caladinhas? Porque haveria de ser suposto as crianças serem “mini adultos”?

Porque quando não o são, isso torna-se chato ou maçador (principalmente para os adultos)?

De facto, seria muito mais fácil tomar conta delas, se ficassem sentadinhas, quietinhas e caladinhas nos sítios que lhes destinamos. Davam menos trabalho e chateavam menos… Mas, assim como assim, mais vale ter um Nenuco ou comprar um aquário com peixinhos! (Minha opinião, lamento! A liberdade de expressão tem duas faces: a nossa e a dos outros)

 

É suposto as crianças terem energia, quererem explorar o mundo, falarem e correrem!

É sinal de saúde! Por algum motivo se forem a um pediatra com uma criança doente, @ médic@ vos pergunta se ela tem estado ativa ou mais parada, se tem energia ou não! E, por algum motivo, se apressam a desconsiderar a “maleita” da criança se a vêem ativa e tagarela.

 

Por muito “chata” que se possa considerar uma criança ativa, isso não faz dela hiperativa.

Trata-se apenas de uma consideração pessoal de quem avalia a criança. Muitas vezes, um juízo de valor que se prende também com a personalidade (e nível de paciência) de quem o emite. Uma nova forma de nos queixarmos da energia de uma criança, mascarada de preocupação ou colocada em termos “politicamente mais corretos” ou aceites socialmente.

De todo o modo, nada disto faz com que não seja suposto uma criança ter energia e ser ativa, nem faz com que ela mereça ser rotulada com uma perturbação/doença.

 

Agora, claro que há miúdos efetivamente com PH/DA. Também os há, que não tendo PH/DA , têm muita energia. Caberá aos especialistas fazerem essa distinção.

 

De resto, o que há, são crianças…

Algumas mais aventureiras e que parecem querer explorar o mundo com as mãos, outras mais recatadas que analisam o ambiente à distância na segurança do colo/pernas dos pais.

Algumas tagarelas e extrovertidas, outras tímidas e introvertidas.

Algumas que gostam de atividades mais físicas ou que impliquem movimento, outras que gostam de atividades sem grande esforço físico.

Algumas que adoram o amarelo, outras que gostam mesmo é do verde.

 

Resumindo, há pessoas diferentes. Em criança e em adultos.

E, há uma diferença entre ser ativo e ter hiperatividade. Deixemos de colocar rótulos sem necessidade.

 

 

E, não me levem a mal por estas considerações….

É que, se por um lado, eu era essa criança chata irrequieta, tagarela que se metia nas conversas dos adultos e lhes punha os nervos em franja com tanta correria e saltos; por outro, sinto bem na pele o que cansa ter uma criança cheia de energia!

E também sinto o que é levar com as considerações (não solicitadas, de conhecidos e desconhecidos) acerca da quantidade de energia que o meu filho tem ou deixa de ter, consoante o contexto e altura em que se cruzam com ele… Desde o “que bem comportadinho” ao “menino muito irrequieto /hiperativo”… Ouve-se de tudo e procurar-se integrar ou relevar.

 

Claro que cansa, mas não quereria ter outro filho, nem o quereria amorfo, parado, sem a sua vitalidade e energia características! De certo modo, é o meu castigo (ou karma), para perceber bem o que fiz passar a minha mãe…

Mas, confesso, que no fundo, sorrio, porque sei, que independentemente de tudo o resto, tenho um filho saudável, curioso e bem desenvolvido. Que tem muita energia de facto, mas, sabem que mais? Eu também!

 

E, agora…

-“Um… Dois… Três! Partida!” – vou-me para mais uma corrida com o meu pardalito! Quem conseguir, que nos acompanhe!

 

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- Parar para uma fotografia! Oh, mãe! Mas há tanto por explorar! - a minha pessoa, com 6 anos.

 

 

Um pensamento: Porque nos passam a vida de adultos a pedir para correr e fazer mil uma coisas (o famoso multitasking), mas numa criança isso é um comportamento indesejável?

O desconsolo da saudade...

Há dias e dias... Como em tudo na vida, também na morte e no luto.

Ter um luto bem resolvido não significa não sentir falta, não ter saudades. Não, de modo algum.

E, há dias, alturas, tempos, em que a saudade se impõe, carrega recordações e a lembrança da falta que nos faz quem perdemos. Quando nos sentimos mais frágeis, quando acontece um episódio semelhante à vivência que tivemos com esse alguém, quando temos um sucesso/acontecimento que seria importante para esse alguém (ou para nós que esse alguém estivesse presente), quando desempenhamos certos papéis, em data especiais, ou em todas estas situações em simultâneo...


Ando nesses dias...

Sinto uma falta imensa e uma necessidade não satisfeita (impossível de satisfazer) de falar contigo, mãe… De te contar o que se passa e o que sinto, de te perguntar o que farias ou o que fizeste, quando te aconteceu o mesmo!

E a única maneira de o fazer, é falar com o meu coração...
Não acredito em céus, deuses e diabos... Acredito que tudo tem um fim e esse vem com a morte. Acredito que moras em mim e em quem te ama e, essa é a única vida que ainda existe para quem morre.
Seria talvez mais fácil acreditar em céus, em sinais e em almas que nos ouvem… Mas não é o caso.


Sinto saudades.

E, se é verdade que sentiria saudades de qualquer modo, se é verdade que ser mãe também me trouxe um pouco de ti de volta, também há momentos em que me faz sentir mais estas saudades e esta necessidade insatisfeita de partilhar contigo as minhas dúvidas, incertezas, medos e frustrações… Saudades de rirmos, chorarmos, conversarmos…

Não eras perfeita. Ninguém é. Mas eras uma boa mãe (excelente). E és, para mim, um exemplo a seguir.
Por isso, é às recordações do que vivi contigo, dos teus comportamentos enquanto mãe que me agarro com força, quando sinto que tenho de desencantar mais paciência, compreensão, calma e tolerância.

 

Mas a minha memória de filha, não me dá a perspectiva, os sentimentos e frustrações por que passaste, nem o modo como conseguiste superar isso. Não me dá as respostas às minhas questões enquanto mãe...

Se por um lado, é verdade que algumas se “auto respondem” e certas normas/acontecimentos se tornam claros com a água, outros nem por isso…


Não tendo como ter respostas tuas… Não tendo como partilhar (mesmo e a sério) estes momentos, falo com a mãe que mora no meu coração, esperando encontrar lá tudo o que me deste de ti… Mas isso não deixa de ser um desconsolo em determinadas alturas…

 

Fazes-me falta… Farás sempre ainda que te traga no meu coração.