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Ice AVenturaS

A Aventura de estar no topo do meu Iceberg... Ou seja, da minha mente! Pensamentos, reflexões, experiências, assuntos sérios ou maluquices da pessoa, mãe e psicóloga... Uma viagem talvez alucinante e meio louca!

Ice AVenturaS

A Aventura de estar no topo do meu Iceberg... Ou seja, da minha mente! Pensamentos, reflexões, experiências, assuntos sérios ou maluquices da pessoa, mãe e psicóloga... Uma viagem talvez alucinante e meio louca!

Gosto muito e não gosto nada do Natal...

Gosto do Natal numa família grande!

Gosto da confusão, dos garotos a correr e a saltar, do barulho e de sermos muitos... Muitos a rir, muitos a falar, muitos a comer, muitos a cozinhar, muitos a refilar, muitos a limpar (e a sujar também!) e até muitos para nos zangarmos, que também faz parte... Muitos mesmo!

3 dezenas no mínimo, seja se estiver com a família em que nasci, seja se estiver com a família que me acolheu ao casar.

Somos muitos de facto, o que faz com que qualquer festa que junte ambos os lados, pareça um casamento com uma centena de convidados só em família próxima (1.º grau). E se é verdade que fomos "perdendo" alguns pelo caminho, também fomos ganhando e mantendo assim a dimensão! Seja em primos e primas novas que vão chegando via namoro/união de facto/casamento, seja pelo belo contributo para o aumento da natalidade neste país. ;)

 

E é bom estarmos muitos! É bom estarmos juntos! É bom ver os cachopos a brincar e a correr e saltar! É bom ver as "manas" e também as primas (eu, incluída) a rir ou a gargalhar como galinhas (no meu lado), mesmo que cada gargalhada alta e estridente nos lembre de quem já não está lá ... É bom falar com quem não falamos há muito. É bom gargalhar também alto e bom som e fazer palhaçadas! É bom ouvir os primos (falta alguém...) a tocar piano, violino, viola, órgão e a cantar! É bom ver a alegria das tias na paródia e um "bocadinho coradas"! É bom falar com @s prim@s e, agora já adult@s, queixarmo-nos dos nossos filhos e contarmos as suas peripécias... já não nos queixando dos nossos pais, antes pensando no que lhes fizemos também. É bom conversar e recordar outras festas, outras estórias e outras "paródias"!

E, por isso, gosto do Natal em família!

 

 

Mas também não gosto nada do Natal...

Que me perdoem os familiares que me estejam a ler... Mas acho que o que eu não gosto, o que me causa angústia, será possivelmente partilhado, ainda que não admitido abertamente...

 

Todos os anos, à medida que se aproxima dezembro, fico bipolar... Entre o entusiasmo e alegria de estar junto e a ansiedade do orçamento...

A mesma angústia em que me recordo de ver a minha mãe, quando eu ainda era pequena e estava longe de a perceber... Eu entusiasmada, ela bipolar, como eu agora... Com a angústia de fazer chegar o orçamento a todo o lado, sem ninguém esquecer, nem ninguém ficar sentido...

 

Somos muitos... E isso é fantástico! É mesmo bom! Acreditem!

 

Mas o orçamento é curto... Cada vez mais curto neste patamar de classe média baixa a lutar para não descer para a baixa...

E, se é certo que cada qual sabe de si e do seu orçamento, também o é que vivemos numa sociedade de consumo, em que os valores económicos parecem muitas vezes sobrepor-se a outros valores...

Nesta ponta do sentir bipolar... Nesta fase mais negativa de sentir, o Natal parece-me cada vez mais uma época de consumo... De anúncios que até já dizem o que fazer com as prendas que não gostarmos... De OLX's cheio de prendas de Natal à venda a partir do dia 26 de dezembro...

Parece que o que importa é dar muito e gastar muito... Não pode ser qualquer coisa, uma lembrança, um afeto... Não. Tem que ser muito e com "X" valor monetário, não vá ferir alguma suscetibilidade (nem que seja imaginada por nós, que também vivemos nesta sociedade de consumo) ou que mais não seja para não nos sentirmos envergonhados por não retribuir à medida das expectativas (nossas, dos outros, imaginadas) ou de dar um valor insuficiente (como se o preço da prenda correspondesse ao valor que a pessoa tem para nós)...

 

Começa aqui a ansiedade... A angústia.

Possivelmente, algo imaginado, que imponho a mim mesma... Ninguém me disse, ninguém me pediu nada e possivelmente estarei eu a criar esta imposição...

Mas sinto que não sou só eu a senti-la... Sei que não e que provavelmente também os outros a sentem... E que os outros o poderão até sentir em relação a mim também. E lá vem a angústia...

 

Não me interpretem mal! Eu gosto de dar! Daria muito mais se tivesse condições, sem olhar a orçamentos, sem remorsos, sem culpas, sem medos e anseios, sem querer qualquer retribuição! Fosse isso possível.

 

Mas somos muitos... 

Prendas.jpg

Estas são prendas que já estão compradas e embrulhadas... Ainda faltam algumas. Não damos prendas a adultos, de um modo geral, porque seria ainda mais insustentável, por motivos óbvios. Não está, neste "monte", nenhuma prenda para o meu filho, marido, sogros, cunhada ou sobrinhos (estas últimas já foram entregues, que eles não moram em Portugal)... 

 

Dou o que posso (mesmo sentido culpa de não dar mais, medo de ferir suscetibilidades, de não "retribuir no peso certo" o que dão aos meus)...

Dou lembranças para dizer:

"Gosto de ti e de te ter na minha vida. Perto ou longe, não me esqueço. Não é muito, é uma lembrança, mas escolhi-a ou fi-la esperando que seja do teu agrado. Que pelo menos te alegre e aqueça o coração por saberes que me lembro e gosto de ti."

 

E espero que isso seja suficiente... Que prevaleça o espírito natalício de partilha, de afeto e convívio... Ainda que me sinta culpada por não dar mais, como possivelmente se sentirão os outros...

 

Mas sabem? As crianças não olham a "etiquetas"... Porque olhamos nós? (Eu incluída...)

O meu filho fica imensamente feliz por ganhar aqueles carros que custam cerca de 1€! E se lhe derem um chupa ou um chocolate, uma gulodice... É vê-lo a rir com os olhos a brilhar!

 

E, na realidade, também para mim não há melhor prenda que um singelo postal escrito com amor e sinceridade! E se for um postal feito, não comprado, mas feito... com um papel A4 dobrado mesmo! Ui... ainda melhor!

 

Se, no fundo, as prendas que ficam e que nos aquecem, as que ficam na memória, na maioria das vezes nada têm a ver com o seu valor monetário, porque lhe atribuímos tanto peso? (Nem que seja na nossa imaginação... Na minha, em relação ao que dou... não ao que recebo.)

 

Celebremos o Natal em família... Aproveitando o tempo e os laços (sem culpas, anseios e remorsos) para dizer:

"Gosto de ti, independentemente do valor!"

 

E que quem me lê e conhece me desculpe, pois serei eu a colocar esta angústia e medos em mim, ou até quem sabe a colocar em vós, mas...

Gosto muito e não gosto nada do Natal...

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